Um dia que ficou marcado na história política de Alagoas. O Estado vivia uma série crise financeira, os servidores com oito meses de salários atrasados, o governador da época, Divaldo Suruagy, não encontrava uma solução para o problema. A Praça Dom Pedro II quase vira palco de uma cena de guerra. Havia grande temor de um confronto sangrento entre soldados do Exército e policiais civis e militares.
Dentro do plenário da Assembleia Legislativa, a tensão também era enorme com deputados encurralados – alguns até armados – que teriam que votar o pedido de impeachment do governador Divaldo Suruagy. Três vezes governador de Alagoas, senador, deputado federal, estadual e prefeito de Maceió, Suruagy vinha sendo forçado por aliados a renunciar, mas relutava em tomar tal decisão e a crise cada vez maior ficava maior.
Dias antes das cenas de guerra que tomariam o noticiário de todo o país, servidores públicos já haviam protagonizado um embate em frente ao Palácio do governo, quando, ao final de mais uma mal sucedida negociação entre Suruagy e sindicalistas, um protesto terminou em confronto com os poucos militares que não estavam em greve. A explosão de uma bomba de efeito moral na mão de um servidor acirrou ainda mais os ânimos.
Com oito meses de salários atrasados, o funcionalismo vivia um clima de comoção depois de terem sido anunciados ao menos quatro suicídios motivados pela crise financeira. Hospitais parados, delegacias fechadas, estudantes sem aulas e o comércio com as vendas estagnadas eram o retrato da crise que assolava o Estado. Com bombeiros, policiais civis e militares em greve, o governo recorreu ao Exército para reforçar a segurança dos prédios públicos.